Ainda estou vivo, pra sempre vivo. Nada como lembrar que a vida nos força a estar aqui, seja lá onde for o lugar.
E conforme o tempo passa, vou deixando algumas preocupações (ou várias delas). Tranquei quase todos os cursos da faculdade, não tenho mais esta pressão acadêmica. Desisti da ideia de arranjar um emprego fora da universidade - estou atrás de estágios que a UNICAMP oferece. E também busco mudar, realizar a mudança.
Porque afinal, nenhuma baque é a força motriz da metamorfose. Talvez um evento catastrófico te force a ver tudo de um outro modo; mas quando me refiro a alterar um padrão de comportamento, aí é a disciplina que entra em jogo.
Minha cabeça opera do seguinte modo: ou enxergando problemas, ou pensando na inevitabilidade da morte e o esvaziamento de sentido da vida que ela gera. Combinando estes dois elementos, não há tranquilidade, apenas ódio e apatia, ódio e apatia, sentimentos os quais foram objeto de estudo, escrita e vivência por alguns anos já. O Tumblr XVI Anos A Mil nasceu por aí, nestes caminhos dolorosos.
E de tanto penar, acabei me tornando algum Marcos peculiar. Irônico, ansioso, desesperado, meio mórbido também. Vagando pelo silêncio, sempre solitário em busca de alguma coisa que me afague em meio a tanta dor.
Entretanto, aos poucos fui me libertando do sofrimento, e de forma natural; como quando no metrô, subindo a escada rolante, preocupei-me por ter parecido grosso com uma pessoa em específico. No momento em que esta preocupação veio, me acalmei instantaneamente através de um pensamento bem claro: se eu for me preocupar com cada pensamento de todas as pessoas ao meu redor, ficarei louco.
Tão lúcido e brilhante... E nem fiz força alguma. O pensamento surgiu naturalmente e de repente, como se já tivesse experienciado esta situação diversas e diversas vezes, a ponto de não ter que se preocupar mais com isso - "o que os outros pensam de mim".
Só que agora eu quero mais. Quero não só que naturalmente as coisas se resolvam como no caso acima; quero formular um padrão de comportamento que possibilite uma vida menos preocupada, menos dramática, onde o mundo possa finalmente ser algum lugar maravilhoso.
Sabe "What a Wonderful World"? Acho uma afronta cantar algo assim, quando na esquina e dentro da sua própria casa a violência corre solta. É perigoso ser feliz. Ser feliz é ignorar a dor da gente e a dor das pessoas em nossa volta. O otimismo é quase uma arma pra quem sofre, pois "deslegitima" o sofrimento.
Desculpa, acho que estou me perdendo na ideia. Vou ser mais claro: em geral, dizem que é feliz quem aceita a realidade e não discute ela; assim, a felicidade é a mesma coisa que resignação. Outros dizem que é feliz aquele que vê o lado bom das coisas; a felicidade é o otimismo. Na nossa sociedade, o otimismo é esmagado por aqueles que se clamam "realistas". Outros ainda dizem que ver o lado bom de tudo faz parte da tal "ditadura da felicidade".
As pessoas não abrem espaço para a felicidade, encarceram ela de todas as formas possíveis. A realidade é uma grande tragédia, e ser feliz em meio a um mundo de tragédias é o mesmo que "fechar os olhos", "ignorar a verdade". O senso comum olha pra realidade como uma antro de sofrimento, e qualquer um que queira mudar isto está completamente por fora das "coisas como são": ou é romântico, ou vive num mundo de ilusões, ou impõe o riso, ou é simplesmente um saco, a pessoa boba que acha tudo maravilhoso.
Tenho que dizer com força que não aguento mais não ser feliz e viver rodeado de problemas. Estou farto de pessimismo, de textos sociológicos que focam sempre em problemas: o problema das redes sociais, o problema da sociedade pós-moderna, o problema do sexo, o problema disto, o problema daquilo.
Mas é claro que o sujeito que no momento escreve nasceu num mundo assim, o que torna muito difícil reverter a situação: eu mesmo me proíbo de ser feliz e não consigo encontrar um modo de ser feliz e não ser tosco, resignado ou romântico. Estou preso numa visão pessimista do mundo, e meu maior problema é achar que o pessimismo é a realidade.
Por isso a mudança. Porque cansei de vagar culpado, triste, amargurado, desesperançoso, irritado, desanimado, magoado, cansado, desesperado, ansioso, frustrado, preocupado, amedrontado. Chega, não aguento mais esta porcaria de vida.
Preciso de uma disciplina que me permita ver a vida diferente, com calma, tranquilidade, segurança, curiosidade, esperança, vontade, despreocupação.
Mas não é fácil. Uma vida com qualquer uma destas coisas é quase sempre uma vida tosca, romântica e leviana.
-----
Estou há duas semanas consecutivas escutando uma música: Time, do Angra.
A letra é basicamente sobre os tormentos que vivemos, e sobre como isso arranca nossa vontade de viver. Mas, mais do que cantar sobre isto, a música tenta mostrar que há alguma chance, alguma luz no fim do túnel:
"There's so much hidden behind
As so much more we've gotta give".
Ainda há outra música que me encanta: O Que é, O Que é?, do Gonzaguinha.
Todos conhecem. "Viver, e não ter vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz. Eu sei que a vida deveria ser bem melhor e será. Mas isto não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita".
Preciso de algo novo, alguma forma de realidade otimista. Entendem? Não é o "otimismo", mas uma realidade otimista, a felicidade que não é falsa e que não encobre a tristeza. Neste mundo que quero criar, posso estar triste e chorar. Mas não quero estar amargurado com tudo, nem ser pessimista, nem viver preocupado com cada coisa que acontece.
Já digo de antemão: não é fácil. Acredito que ser um realista otimista é algo três vezes mais difícil do que ser o tal do pessimista. Ser pessimista não possui desafios. Ser otimista, sim.
Procurar a luz no fim do túnel requer trabalho e força de vontade.
Andei lendo "Poliana", um romance sobre uma garota que encanta todas e todos com seu otimismo. O livro foi escrito no século XX, período marcado por tragédias, fome e várias gueras: as duas guerras mundiais, a guerra fria, guerra do golfo, guerra da Coréia etc. Mesmo num período como esse (ou talvez porque num período como esse) o livro tornou-se um best-seller mundial.
Não é por menos. O modo como Poliana vê tudo ao seu redor é de tal maneira encantadora tanto pelo seu amor quanto pela inovação no olhar. Ela é assombrosamente contente. Chega a assustar.
Porque uma das regras do "jogo do contente" (já irei explicar) é aceitar a realidade. Nada de ilusão, romancismo ou futilidade. Antes de tudo, deve-se aceitar a realidade e ser claro quanto as coisas como são. A partir desta perspectiva, a perspectiva da clareza, há a possibilidade de jogar bem o jogo.
Poliana uma vez quis ganhar uma boneca, mas recebe ao invés disto um par de muletas. Seu pai, neste dia, a ensinou o jogo do contente, que consiste em ficar contente com todas as situações da vida. No caso, Poliana ficou contente porque recebeu as muletas e não teria de usá-las, afinal, possui duas pernas, as quais as usa com muita felicidade.
Vê? Poliana não foi fútil, nem romântica. Ela ficou contente de fato, viu a situação segundo uma nova perspectiva; aceitou que não teria a boneca e encontrou um outro lado da realidade.
Eu quero isto também. Quero a mudança pra parar de sofrer toda vez que acordo.
Nesta busca, passei a meditar três vezes ao dia, e entre as meditações, faço Yoga. É algo, mas quero mais, muito mais.
Eu não nasci pra sofrer. Chega.
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Vou atrás de mais posições de Yoga e tentarei jogar o jogo do contente. Tenho esperança, pelo menos um pouco, o que já é muito.
quarta-feira, 23 de março de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Mysteries
— But mysteries keep the flames of life. If there are no mysteries,
there is no life. Or what burns you inside is everybody else's business?
— Oh...
Touched by the wise words, Anna decided to return at herself in silence. Maybe keeping a secret is not a killing action because of its loneliness. Instead of this, closing our lips and digesting our memories allow us to perpetuate more the past's taste and our will to live. Penetrating her land of hope — or flames, how said Mrs. Brigitte — and making it untouchable under protection of guards of her safety would give her the best of the best: integrity, such a thing that is often beat to death, smashed to the ground untill we beg protection as a failure of nature reaching for a Great Father.
Maybe she doesn't need that.
Maybe, to build the towers of her force and finally become a queen for herself and of herself, the only requirement would be silence. No democracy, no popular acceptation, no court's assignement. Only silence and a desert to reign, with all her legitimacy majesty.
— Oh...
Touched by the wise words, Anna decided to return at herself in silence. Maybe keeping a secret is not a killing action because of its loneliness. Instead of this, closing our lips and digesting our memories allow us to perpetuate more the past's taste and our will to live. Penetrating her land of hope — or flames, how said Mrs. Brigitte — and making it untouchable under protection of guards of her safety would give her the best of the best: integrity, such a thing that is often beat to death, smashed to the ground untill we beg protection as a failure of nature reaching for a Great Father.
Maybe she doesn't need that.
Maybe, to build the towers of her force and finally become a queen for herself and of herself, the only requirement would be silence. No democracy, no popular acceptation, no court's assignement. Only silence and a desert to reign, with all her legitimacy majesty.
Don Ratón e sua Gangue
— Quero fugir em disparada do mau cheiro daquele lugar. São ratos, Madalena. Ratos famintos e raivosos.
— O rato raivoso roeu o resto do romã.
— Que diabos o romã tem a ver com a história, Madalena?
— José, já abriu romã pra ver? São pequenas bolinhas doces. Deméter comeu três e foi condenada a passar três meses no inferno a cada ano — pelo resto da sua vida. Por você, comeram mais do que três; pelo menos devoraram o romã inteiro. Isto é, se toda tua súplica não for produto de uma inata sede por drama, queda e nascimento.
— Madalena, você não faz o menor sentido. Não foi o romã que me comeram: foi a roupa, o reino e a terra. Estou nu da pior forma possível: sem majestade pra exibir o próprio brilho.
— José, você é que não entende nada. Passa o pão, por favor.
Ele passa sem nem olhar o que faz: íris concentrada na dor, mundo ao redor é pura insignificância.
— Escuta: se tua vida se basear no rato que tanto te dita e fascina, tudo que é fora do reino dele irá perder seu encanto. Quero dizer; o lixão dele não é todo lugar pra onde você vai.
— É sim. Estou condenado a cheirar o lixo revirado mesmo quando em casa. Não há como vencer.
— Então desiste! Don Ratón e sua gangue não procuram por sangue novo. Só querem mesmo é espantar as almas que são obrigadas a passar perto deles. Você é obrigado a isto?
— Não. Mas aí eu seria covarde. Imagina só, um ser humano como eu, fugindo da raia a troco de felicidade.
— A troco de quê?
— ... Felicidade.
Passando a manteiga no pão, Madalena exclama:
— José, desertar não é maravilhoso!?
José teve que consentir. Madalena sempre será mais incrível que ele.
Fagocitose
Tenho cheiro de Globo.
Exauro, irradio plasticidade
Sou o menino dos olhos de Boni
Exauro, irradio plasticidade
Sou o menino dos olhos de Boni
Astro como auto-evidência
sou astro, como sei que penso:
eu astro, logo
infinitesimal-aurífera-quantidade-de-mim-como-porção-da-tela, sua
E grandiosamente nua
Esfregando-me no óleo para nosso deleite
Fantasia pura
Englobando, fagocitando, alimentando
Nosso rebanho de ser um
De ser uno
ao desmontar a consciência
e mergulhar no lago
Da concupiscência, enfim
Global.
sou astro, como sei que penso:
eu astro, logo
infinitesimal-aurífera-quantidade-de-mim-como-porção-da-tela, sua
E grandiosamente nua
Esfregando-me no óleo para nosso deleite
Fantasia pura
Englobando, fagocitando, alimentando
Nosso rebanho de ser um
De ser uno
ao desmontar a consciência
e mergulhar no lago
Da concupiscência, enfim
Global.
Tagarelice
Ninguém escreve quando feliz, porque as palavras pesam no sorriso da gente.
O gozado é que quando estamos tristes, elas aliviam toneladas de aflição.
Palavra pode ser pena e pode ser peso, então.
---
Já fiquei cinco dias sem falar coisa alguma. Foi engraçado, porque quando eu pedia informação (escrevendo num papelzinho), as pessoas quase que gritavam. Gesticulavam loucamente, e tratavam de explicar o caminho da rua x didaticamente. Algumas olhavam com surpresa; outras, o que parecia ser dó.
Meu objetivo era ficar uma semana assim, mas de repente um professor de literatura norte-americano me parou na rua, pedindo ajuda, dizendo que precisava de dinheiro porque estava com fome.
Como diabos eu poderia ter ficado quieto?
---
Também já fiquei horas sem abrir os olhos. Saí pra ver uma menina, e nosso combinado era que ela me guiasse pelo braço durante todo o encontro.
Fascinante! Minha audição se desenvolveu muito; meu tato teve sensível melhora.
Mas a menina era diabólica. Uma hora começou a falar inglês comigo. Eu respondia da mesma forma, achando a situação engraçada. Andamos por uns 20 minutos assim, e eu rindo dela imitando o sotaque das meninas patricinhas dos EUA.
Uma hora alguém chegou perto de nós e disse:
— Vocês não podem ficar aqui. Isto é uma excursão própria para quem pagou.
Ela havia me colocado no meio de uns gringos que faziam uma excursão pela Avenida Paulista, e eu nem desconfiei de nada!
Saudade desta moça.
Aiai, moças.
----
Só me refiro a uma coisa com estes textos: expressão humana.
Como se conectar ao mundo, sem ser através dos meios comuns? Por que temos de falar tanto e tanto dizer o que nem importa?
Queria um mundo onde eu não precisasse dizer "oi" e nem "tudo bem", pois tudo estaria implícito no meu cabelo, olhar e andar.
Às vezes detesto falar, pois perco o ouro intocável aqui de dentro. Tenho que achar as palavras, juntá-las, entonar a voz, e parecer que elas são importantes...
Diante disso, fujo. Aqui dentro tudo está mais aquecido e claro. Lá fora, o esforço é tanto e trabalhoso, que fechar os lábios vale mais a pena.
Além do mais, as palavras custam em achar ouvido que preste. Todos estão tão sintonizados com a própria frequência que tem dificuldade em mudar de estação.
Agora, pior que isso, só as bocas ansiosas, que parecem galinhas desastradas.
Dá pra sair do galinheiro e olhar o mundo lá fora?
Só cocoreja: eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu.
Hoje fujo — quando dá.
Mas tá bom de texto, que por hoje eu já falei demais, credo.
O gozado é que quando estamos tristes, elas aliviam toneladas de aflição.
Palavra pode ser pena e pode ser peso, então.
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Já fiquei cinco dias sem falar coisa alguma. Foi engraçado, porque quando eu pedia informação (escrevendo num papelzinho), as pessoas quase que gritavam. Gesticulavam loucamente, e tratavam de explicar o caminho da rua x didaticamente. Algumas olhavam com surpresa; outras, o que parecia ser dó.
Meu objetivo era ficar uma semana assim, mas de repente um professor de literatura norte-americano me parou na rua, pedindo ajuda, dizendo que precisava de dinheiro porque estava com fome.
Como diabos eu poderia ter ficado quieto?
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Também já fiquei horas sem abrir os olhos. Saí pra ver uma menina, e nosso combinado era que ela me guiasse pelo braço durante todo o encontro.
Fascinante! Minha audição se desenvolveu muito; meu tato teve sensível melhora.
Mas a menina era diabólica. Uma hora começou a falar inglês comigo. Eu respondia da mesma forma, achando a situação engraçada. Andamos por uns 20 minutos assim, e eu rindo dela imitando o sotaque das meninas patricinhas dos EUA.
Uma hora alguém chegou perto de nós e disse:
— Vocês não podem ficar aqui. Isto é uma excursão própria para quem pagou.
Ela havia me colocado no meio de uns gringos que faziam uma excursão pela Avenida Paulista, e eu nem desconfiei de nada!
Saudade desta moça.
Aiai, moças.
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Só me refiro a uma coisa com estes textos: expressão humana.
Como se conectar ao mundo, sem ser através dos meios comuns? Por que temos de falar tanto e tanto dizer o que nem importa?
Queria um mundo onde eu não precisasse dizer "oi" e nem "tudo bem", pois tudo estaria implícito no meu cabelo, olhar e andar.
Às vezes detesto falar, pois perco o ouro intocável aqui de dentro. Tenho que achar as palavras, juntá-las, entonar a voz, e parecer que elas são importantes...
Diante disso, fujo. Aqui dentro tudo está mais aquecido e claro. Lá fora, o esforço é tanto e trabalhoso, que fechar os lábios vale mais a pena.
Além do mais, as palavras custam em achar ouvido que preste. Todos estão tão sintonizados com a própria frequência que tem dificuldade em mudar de estação.
Agora, pior que isso, só as bocas ansiosas, que parecem galinhas desastradas.
Dá pra sair do galinheiro e olhar o mundo lá fora?
Só cocoreja: eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu.
Hoje fujo — quando dá.
Mas tá bom de texto, que por hoje eu já falei demais, credo.
Taurina
Medo
Ainda é cedo
Pra sofrer demais
Paixão, se não a tem
É porque é jovem
E essas coisas já passam
Ainda é cedo
Pra sofrer demais
Paixão, se não a tem
É porque é jovem
E essas coisas já passam
Seus olhos são azuis
e certos demais
Querida... Certo é teu nariz
Que anda reto
De resto, desconfie
saia de perto
reze um pouco...
Quem sabe numa nova esquina
alguém corte seu cabelo?
e certos demais
Querida... Certo é teu nariz
Que anda reto
De resto, desconfie
saia de perto
reze um pouco...
Quem sabe numa nova esquina
alguém corte seu cabelo?
Enrolar
Eu quero tudo junto, agora e ao mesmo tempo. Quero ser engolido pelo mar
e rolar entre a espumareia. Isso tudo até que meu cerebelo faça poesias
sobre gregos bêbados, insubordinados e megalomaníacos.
Ar
Sendo a vida uma corrente de ar, é estranho pensar que em relação ao
outro, sou uma parte que se encaixa entre este e aquele espaço. De
verdade, nunca serei a chave que abrirá as portas do universo, mas uma
coleção de coisas que passarão, e que se tornaram, tornarão ou
tornariam.
Não, nunca habitarei o sol... Nunca serei o sol. Nunca serei o amor da vida de alguém, nem o melhor amigo dele, ou qualquer coisa que ganhe insígnias. Sou aquilo que caiu bem, somente.
Caiu bem no espaço em que tinha, e fez bem no tempo em que o ar me carregou. E depois... O ar, assim como trouxe, me levou para longe: evaporou, flutuou, sumiu.
Não, nunca habitarei o sol... Nunca serei o sol. Nunca serei o amor da vida de alguém, nem o melhor amigo dele, ou qualquer coisa que ganhe insígnias. Sou aquilo que caiu bem, somente.
Caiu bem no espaço em que tinha, e fez bem no tempo em que o ar me carregou. E depois... O ar, assim como trouxe, me levou para longe: evaporou, flutuou, sumiu.
Sempre Dizendo Qualquer Coisa
Sou jovem e inútil. O sol está irritado. Eu xingo as estrelas. E quando durmo, você parece um caracol.
Sou pequeno e arrogante. O sol me despreza. As estrelas me elogiam. E quando eu acordo, você parece uma tartaruga.
Sou médio e igual. O sol está lá. As estrelas também. Quando acordamos juntos, somos interessantes.
Não sei mais se o mundo é igual sempre, ou se os astros copulam escondido.
Sou pequeno e arrogante. O sol me despreza. As estrelas me elogiam. E quando eu acordo, você parece uma tartaruga.
Sou médio e igual. O sol está lá. As estrelas também. Quando acordamos juntos, somos interessantes.
Não sei mais se o mundo é igual sempre, ou se os astros copulam escondido.
Sonho Brizado
Sonhei que fui para o período dos dinossauros. Um pássaro amarelo meio
acabado e fêmea ficou irritado comigo, e resolveu me atacar. O marido
dela foi acalmar a situação, e eu soei um Lá maior até que ela decidiu
não mais usar o bastão que carregava pra me atacar.
Daí saí daquele mundo (que era dentro da loja do Gorillaz no iTunes), e fui assistir a um jogo do Michael Jordan, de basquete.
Terminei o sonho com o Michael Jackson sendo revivido pra sofrer durante anos sendo devorado por um rolo compressor.
Daí saí daquele mundo (que era dentro da loja do Gorillaz no iTunes), e fui assistir a um jogo do Michael Jordan, de basquete.
Terminei o sonho com o Michael Jackson sendo revivido pra sofrer durante anos sendo devorado por um rolo compressor.
Digamos que os lábios grossos resolveram falar com a razão, e afundou-se
por completo em todo seu tecido intelectual. As teias da mente
cercearam qualquer inclinação, disposição, anseio!, de tal
forma que vi, com os olhos ansiosos, toda oportunidade passar. Minhas
mãos estão leves e viciadas: o que fazer com tanto beijo perdido?
Cidadania
Que os dias sejam claros como a noite, e misteriosos como o sol.
Brilhemos este mês segundo uma tentação pelo obscuro, e apaguemos o
corpo entre outros corpos luminosos. Sejamos a taça para brindar nossos
lados, útero e adolescência, sono e experiência.
Encoste o vidro, e escute o tilintar: quem brinda é seu semelhante, pessoa comum que atravessa a rua, senta ao seu lado no ônibus e vota em quem você nunca votaria.
Olho para o Brasil, agora com calma por perceber que assim são os ânimos e os opiniões, arcabouços de ideias que naturalmente digladiam entre si. Toco na ferida, não sou prosaico. Aécio, Marina, ou Dilma; contra ou a favor da redução da maioridade penal; foto colorida ou não; chato de esquerda ou chato de direita: todos imensamente semelhantes, até o último rastro de pessoa humana.
Não vos convoco à paz, como se bastasse dar os braços e proclamar uma eternidade plena de compreensão, equilíbrio e amor; muito pelo contrário. Conclamo a humanidade para pisar na rua e a considerá-la como chão de uma grande casa, o mundo. Cada banco é um sofá, cada indivíduo, você em outros mil aspectos.
Claro que brigamos. Claro que nos odiamos. Claro que matamos. Claro que postamos em tom de ironia e acidez para provocar o outro. Mas tudo isto tão estúpido e sério que só me dei conta agora. Somos semelhantes, semelhantes que se odeiam, que se amam, que se unem e dão unfollow.
Quem por acaso entender, que ótimo: dê um presente para seu vizinho, e relembre daquela palavra recôndita, recôndita... Cidadania.
Que pensas?
Encoste o vidro, e escute o tilintar: quem brinda é seu semelhante, pessoa comum que atravessa a rua, senta ao seu lado no ônibus e vota em quem você nunca votaria.
Olho para o Brasil, agora com calma por perceber que assim são os ânimos e os opiniões, arcabouços de ideias que naturalmente digladiam entre si. Toco na ferida, não sou prosaico. Aécio, Marina, ou Dilma; contra ou a favor da redução da maioridade penal; foto colorida ou não; chato de esquerda ou chato de direita: todos imensamente semelhantes, até o último rastro de pessoa humana.
Não vos convoco à paz, como se bastasse dar os braços e proclamar uma eternidade plena de compreensão, equilíbrio e amor; muito pelo contrário. Conclamo a humanidade para pisar na rua e a considerá-la como chão de uma grande casa, o mundo. Cada banco é um sofá, cada indivíduo, você em outros mil aspectos.
Claro que brigamos. Claro que nos odiamos. Claro que matamos. Claro que postamos em tom de ironia e acidez para provocar o outro. Mas tudo isto tão estúpido e sério que só me dei conta agora. Somos semelhantes, semelhantes que se odeiam, que se amam, que se unem e dão unfollow.
Quem por acaso entender, que ótimo: dê um presente para seu vizinho, e relembre daquela palavra recôndita, recôndita... Cidadania.
Que pensas?
Juventude
Consigo empilhar as palavras que anseio como totalidade em minha vida:
alicerce, núcleo, base, estrutura, pilar, égide, viga, torre, coluna,
tríade, centro, concreto, mármore, cimento, tijolo e sustentação.
Mas eis que, no anseio de dar cabo à construção destes sinônimos, tropecei numa pedra, no meio da caminho. Como diabos irei iniciar a construção sem um esboço para guiar-me? Onde está a referência para a pavimentação do caminho?
Estava ela em Cronos, meu genitor. Provim dele. Mas conforme cresço, distancio-me deste imenso Titã. E conforme cresço e ando, vacilo entre os pregos e martelo: onde está o esboço?
Certo estou de que me entende, pessoa... A vida, este quadro produzido instantaneamente, não possui borda ou rascunho. Mas como diabo o escultor faria da pedra bruta qualquer coisa que não estivesse já presente como ideia?
É, é isso. E estaría perdido, se não tivesse percebido uma tremenda gafe de minha parte. O erro consistiu em fazer da construção, um projeto que se possa adiar, atrasar ou cerrar. Claro que não... Me tornei indivíduo assim que me percebi como um, aquela cabeça que irrompeu no mundo e hoje tem pernas, boca e mente. E neste instante em que respiro, já construo meu alicerce. Cada passo, mínimo que seja, já é um tijolo a mais para a vida. Estou em constante criação, influência e reação. Não há esboço para além de mim: me prolongo na estrada segundo o que penso, sinto e quero. Eu sou meu próprio rascunho, e tentativa infinita de chegar em qualquer lugar.
Acho que isso se chama, o que se pode dizer, de pedaço de maturidade!
Mas eis que, no anseio de dar cabo à construção destes sinônimos, tropecei numa pedra, no meio da caminho. Como diabos irei iniciar a construção sem um esboço para guiar-me? Onde está a referência para a pavimentação do caminho?
Estava ela em Cronos, meu genitor. Provim dele. Mas conforme cresço, distancio-me deste imenso Titã. E conforme cresço e ando, vacilo entre os pregos e martelo: onde está o esboço?
Certo estou de que me entende, pessoa... A vida, este quadro produzido instantaneamente, não possui borda ou rascunho. Mas como diabo o escultor faria da pedra bruta qualquer coisa que não estivesse já presente como ideia?
É, é isso. E estaría perdido, se não tivesse percebido uma tremenda gafe de minha parte. O erro consistiu em fazer da construção, um projeto que se possa adiar, atrasar ou cerrar. Claro que não... Me tornei indivíduo assim que me percebi como um, aquela cabeça que irrompeu no mundo e hoje tem pernas, boca e mente. E neste instante em que respiro, já construo meu alicerce. Cada passo, mínimo que seja, já é um tijolo a mais para a vida. Estou em constante criação, influência e reação. Não há esboço para além de mim: me prolongo na estrada segundo o que penso, sinto e quero. Eu sou meu próprio rascunho, e tentativa infinita de chegar em qualquer lugar.
Acho que isso se chama, o que se pode dizer, de pedaço de maturidade!
Espesso das ideias
As engrenagens, fulminantes, se acionam através da inspiração. Do vapor
olímpico, roldanas giram, e tilintam no cérebro. É o processo da
criação, maquinaria espetacular capaz de produzir e expelir o intragável
da sociedade. Só assim se faz arte, só assim se faz política, só assim
se faz física. Só assim lapidamos o fermento grosso mental, até que
surja impávida ideia, cujo sopro areja os olhos, ou cega os mesmos.
Castanhos ou irritados: ou se abrem como flor, ou transformam-se em espinhos para-o-outro.
Obviamente, recrudescemos nas antigas opiniões. E por mais belo que este texto seja, continuamos atolados na velha aparência e nos velhos argumentos.
Ao menos aqui foi feita minha tentativa de distrair o touro estúpido e teimoso, afogado no espesso das ideias: este texto é uma borboleta rosa que paira tranquilamente em sua frente, mostrando a leveza da dúvida, a única que sobrevive e sobreviverá, durante o tempo em que houver ar para respirar e perguntar: "Será?".
Castanhos ou irritados: ou se abrem como flor, ou transformam-se em espinhos para-o-outro.
Obviamente, recrudescemos nas antigas opiniões. E por mais belo que este texto seja, continuamos atolados na velha aparência e nos velhos argumentos.
Ao menos aqui foi feita minha tentativa de distrair o touro estúpido e teimoso, afogado no espesso das ideias: este texto é uma borboleta rosa que paira tranquilamente em sua frente, mostrando a leveza da dúvida, a única que sobrevive e sobreviverá, durante o tempo em que houver ar para respirar e perguntar: "Será?".
Silêncio
Dificilmente escrevo algo aqui, porque temo expor opiniões, seja lá por
insegurança, seja lá por medo. De qualquer forma, são genuínas as
palavras que saem, força independente em se mostrar ao mundo. O meu
desejo é simples e reto: silêncio, muito silêncio. Minha mãe vive
cantando "tempo de silêncio e solidão", síntese do desenrolar de vários
fatos.
E o fato principal é que não encontro saída para qualquer parte, onde a opinião me custa não só palavras, mas um lançar-me a uma esfera de pensamento que por fim, é apenas mais uma dentro de setores, gamas e diferenciações próprias da subjetividade de nossos valores. Então, olho esta infinidade e renuncio, desistente de empunhar certezas. Tudo é por demais complexo, e alimento a esperança de encontrar razões neste tudo: em quem morre, em quem mata. É cruel, de fato. Ser compreensivo a todo momento, pra tudo o que existe, cansa.
Mas o que fazer? Ignorar o campo da subjetividade e dizer logo o que pensa sem rodeios? Pode ser, mas não é esta abordagem que quis inicialmente dar ao texto. Quis mesmo expressar o desejo de silêncio, ultra silêncio, apenas cerrar os olhos e parar de pensar, pra que o mundo se faça pequeno, e eu deixe a abrangência. Quando as coisas se tornam demais, é porque estamos cegos para os detalhes, como o nome do vizinho, a comida que faz mal e a necessidade de dormir bem.
E o fato principal é que não encontro saída para qualquer parte, onde a opinião me custa não só palavras, mas um lançar-me a uma esfera de pensamento que por fim, é apenas mais uma dentro de setores, gamas e diferenciações próprias da subjetividade de nossos valores. Então, olho esta infinidade e renuncio, desistente de empunhar certezas. Tudo é por demais complexo, e alimento a esperança de encontrar razões neste tudo: em quem morre, em quem mata. É cruel, de fato. Ser compreensivo a todo momento, pra tudo o que existe, cansa.
Mas o que fazer? Ignorar o campo da subjetividade e dizer logo o que pensa sem rodeios? Pode ser, mas não é esta abordagem que quis inicialmente dar ao texto. Quis mesmo expressar o desejo de silêncio, ultra silêncio, apenas cerrar os olhos e parar de pensar, pra que o mundo se faça pequeno, e eu deixe a abrangência. Quando as coisas se tornam demais, é porque estamos cegos para os detalhes, como o nome do vizinho, a comida que faz mal e a necessidade de dormir bem.
Inspiração
Existe um sentimento de impotência em mim. Quando estou quase dormindo,
naquele período que fica entre a realidade e o sonho, diversas músicas
surgem e ecoam em minha mente. O interessante é que são harmonias
compostas por mim na hora, e sem intervenção consciente. Ou seja:
inspiração mesmo.
Semana passada, por exemplo, surgiu o Hino à Alegria, de Beethoven, mas tocada em um viola caipira. Uma vez, o que apareceu foi uma ópera fascinante. E também um sertanejo universitário, assim como poesias, riffs de heavy metal e um reggae.
Só que hoje, algo maior aconteceu. Enquanto meditava, o mantra Hare Krishna começou a "tocar" em minha mente. Coisa simples, dois acordes. Só que de forma extraordinária, toda uma orquestra surgiu! E mais ainda: eu escolhia o instrumento a ser tocado, e criava mentalmente a linha melódica.
Abusei de tambores, caixas, violinos, de um piano, uma harpa, uma soprano, um barítono — enfim, descreveria mais outros 4 instrumentos, mas como meu conhecimento de música clássica é mínimo, não sei o nome deles. Só sei que lembrava do timbre, e o fazia soar em minha mente, unido a outros timbres ou não.
Foi um estouro. Me emocionei, de tão lindo que o mantra ficou.
Agora, o sentimento de impotência fica: como vou mostrar isto ao mundo? Um dia terei acesso a tantos instrumentos? E como explicar o que está aqui dentro se não sei escrever partitura?
Angústia, gente, angústia...
Semana passada, por exemplo, surgiu o Hino à Alegria, de Beethoven, mas tocada em um viola caipira. Uma vez, o que apareceu foi uma ópera fascinante. E também um sertanejo universitário, assim como poesias, riffs de heavy metal e um reggae.
Só que hoje, algo maior aconteceu. Enquanto meditava, o mantra Hare Krishna começou a "tocar" em minha mente. Coisa simples, dois acordes. Só que de forma extraordinária, toda uma orquestra surgiu! E mais ainda: eu escolhia o instrumento a ser tocado, e criava mentalmente a linha melódica.
Abusei de tambores, caixas, violinos, de um piano, uma harpa, uma soprano, um barítono — enfim, descreveria mais outros 4 instrumentos, mas como meu conhecimento de música clássica é mínimo, não sei o nome deles. Só sei que lembrava do timbre, e o fazia soar em minha mente, unido a outros timbres ou não.
Foi um estouro. Me emocionei, de tão lindo que o mantra ficou.
Agora, o sentimento de impotência fica: como vou mostrar isto ao mundo? Um dia terei acesso a tantos instrumentos? E como explicar o que está aqui dentro se não sei escrever partitura?
Angústia, gente, angústia...
O Louco
Que vontade que eu tenho de ficar nu para a eternidade, e mostrar aos
vigias que me perscrutam, sanção e punição, o quão limpo, claro e vivo
estou. Não há formas escorregadias nas palavras, nem o medo de dizê-las,
pois o que é essencial feito mármore, cru como a beleza pura, e
permitido em todas as formas possíveis, consta aberto no meu peito e no
meu corpo. Estou nu, senhoras e senhores, feito louco de pedra e criança
selvagem. Nu, nem de botas, nem com a mão no bolso: oceânica
nudez, repleta de monstros e maravilhas. Mas nesta Atlântida, não há
conquistadores ou desbravadores. O mar é por si só seu próprio dono, ora
besta loura, ora equilíbrio chinês.
Ah, a extensão! Contorno meu corpo com a matéria que ocupa espaço. Superfície infinita, de novo, meu eu é nu.
Tracejar-me é impossível; nem mesmo delimitar o oceano é tarefa realizável. Estou onde sou, e ele é onde está. Estou tudo, ele é tudo.
Afinal, somos tão enormes que os vigilantes se perderam. Sem desbravadores, sem instituições. Estou nu, pelado, e ao vento.
Ah, a extensão! Contorno meu corpo com a matéria que ocupa espaço. Superfície infinita, de novo, meu eu é nu.
Tracejar-me é impossível; nem mesmo delimitar o oceano é tarefa realizável. Estou onde sou, e ele é onde está. Estou tudo, ele é tudo.
Afinal, somos tão enormes que os vigilantes se perderam. Sem desbravadores, sem instituições. Estou nu, pelado, e ao vento.
Morte
Sou muito apressado. Senão isto, estão prevenido. Desde que descobri a
morte, venho me preparando pra quando ela acontecer — tanto a minha
quanto a de pessoas que amo.
Não vejo nada de macabro nisto. Não te parece que fugir desesperadamente da morte é esquecer da própria — e curtíssima — existência?
Então vê-la, entendê-la (da própria forma, isto é, com suas próprias palavras e sentimentos), senti-la; tudo isto é uma grande de chance de lembrar que nossa consciência um dia desaparecerá.
Das minhas vivências, posso relatar minha proximidade com os cemitérios. Matava aulas e aulas pra ficar lá, arrumando os vasos de flores caídos sobre as tumbas, lendo alguns livros, conversando (mais numa espécie de monólogo, graças a Deus!) com os falecidos, me perguntando se gostaram de viver; uma vez dormi por uns 30 minutos em um banco de um cemitério, e sem querer (caí no sono).
Já também vivi alguns dias imaginando que realmente eram os últimos. Liguei pra algumas pessoas da minha família e agradeci por eles estarem comigo e serem parte do que me estrutura enquanto indivíduo. À noite, falei com as estrelas e também agradeci à lua. Eu nunca dormi com tanto medo de realmente não acordar!
Outra experiência foi bandejar imaginando que, assim que eu saísse da porta do bandeco, eu morreria. É incrível como vivi enquanto dava as últimas garfadas e conversava animadamente com diferentes pessoas.
Tudo isto porque ela me fascina. E quanto maior o fascínio despertado, maior a distância que quero dela.
Quem sabe a morte não é um amor platônico? Idealizado, misterioso e que no momento, não me desperta interesse para realizá-lo, porque as coisas estão incompatíveis.
E minha pergunta fica: um dia seremos compatíveis um com o outro?
É o que tento fazer. O fato, bizarro ou não, é que quanto maior o preparo, maior o meu amor pela existência.
Raul fala bem por mim:
Não vejo nada de macabro nisto. Não te parece que fugir desesperadamente da morte é esquecer da própria — e curtíssima — existência?
Então vê-la, entendê-la (da própria forma, isto é, com suas próprias palavras e sentimentos), senti-la; tudo isto é uma grande de chance de lembrar que nossa consciência um dia desaparecerá.
Das minhas vivências, posso relatar minha proximidade com os cemitérios. Matava aulas e aulas pra ficar lá, arrumando os vasos de flores caídos sobre as tumbas, lendo alguns livros, conversando (mais numa espécie de monólogo, graças a Deus!) com os falecidos, me perguntando se gostaram de viver; uma vez dormi por uns 30 minutos em um banco de um cemitério, e sem querer (caí no sono).
Já também vivi alguns dias imaginando que realmente eram os últimos. Liguei pra algumas pessoas da minha família e agradeci por eles estarem comigo e serem parte do que me estrutura enquanto indivíduo. À noite, falei com as estrelas e também agradeci à lua. Eu nunca dormi com tanto medo de realmente não acordar!
Outra experiência foi bandejar imaginando que, assim que eu saísse da porta do bandeco, eu morreria. É incrível como vivi enquanto dava as últimas garfadas e conversava animadamente com diferentes pessoas.
Tudo isto porque ela me fascina. E quanto maior o fascínio despertado, maior a distância que quero dela.
Quem sabe a morte não é um amor platônico? Idealizado, misterioso e que no momento, não me desperta interesse para realizá-lo, porque as coisas estão incompatíveis.
E minha pergunta fica: um dia seremos compatíveis um com o outro?
É o que tento fazer. O fato, bizarro ou não, é que quanto maior o preparo, maior o meu amor pela existência.
Raul fala bem por mim:
"E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte"
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte"
Sonho
Dormi sonhando que estava acordado. Acordei de verdade. De repente,
estou mega cansado, fraco e sem condições de levantar da cama. Faço um
esforço, e consigo. No momento que consigo me levantar me dou conta de
que o sonho que tive, pensando ser real, era - adivinha - só um sonho.
Fico aliviado, porque passou. Então de repente percebo que não levantei coisa nenhuma, ainda estou imóvel na cama. O despertar foi uma ilusão (outro sonho). Em desespero, vejo meu amigo falar: "tô preocupado com você. Seus olhos estão vermelhos e semi-cerrados".
Preciso levantar da cama, mas não consigo! Observo o porquê: meu corpo não responde a minha mente. Então busco aliar os dois, respirando lentamente. Pouco a pouco, a respiração se torna mais profunda, e me conecto com todo o corpo. Faço força e acordo.
Olho para o chão e pulo para verificar se estou dormindo ou estou acordado. Fico tonto porque pular de verdade é diferente de pular num sonho (a sensação é real). Concluo estar acordado.
Então retorno novamente ao meu corpo, que na realidade está parado. Percebi que me enganei, aquilo era um outro sonho também.
Volto a respirar calmamente até que no momento certo, me impulsiono para levantar da cama. E agora estou aqui, contando pra vocês o meu medo de nunca mais acordar.
Basicamente, o que ocorreu foi o seguinte: sonhei que sonhei que sonhei (que estava acordado). São quatro realidades, onde acordei três vezes (da quarta para a terceira, da terceira para a segunda, e da segunda para primeira, esta aqui).
Eu tô quase indo pra quinta realidade, e morrendo de medo de nunca mais voltar dela. Paralisia do Sono, socorro.
Fico aliviado, porque passou. Então de repente percebo que não levantei coisa nenhuma, ainda estou imóvel na cama. O despertar foi uma ilusão (outro sonho). Em desespero, vejo meu amigo falar: "tô preocupado com você. Seus olhos estão vermelhos e semi-cerrados".
Preciso levantar da cama, mas não consigo! Observo o porquê: meu corpo não responde a minha mente. Então busco aliar os dois, respirando lentamente. Pouco a pouco, a respiração se torna mais profunda, e me conecto com todo o corpo. Faço força e acordo.
Olho para o chão e pulo para verificar se estou dormindo ou estou acordado. Fico tonto porque pular de verdade é diferente de pular num sonho (a sensação é real). Concluo estar acordado.
Então retorno novamente ao meu corpo, que na realidade está parado. Percebi que me enganei, aquilo era um outro sonho também.
Volto a respirar calmamente até que no momento certo, me impulsiono para levantar da cama. E agora estou aqui, contando pra vocês o meu medo de nunca mais acordar.
Basicamente, o que ocorreu foi o seguinte: sonhei que sonhei que sonhei (que estava acordado). São quatro realidades, onde acordei três vezes (da quarta para a terceira, da terceira para a segunda, e da segunda para primeira, esta aqui).
Eu tô quase indo pra quinta realidade, e morrendo de medo de nunca mais voltar dela. Paralisia do Sono, socorro.
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