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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dois Centímetros

Bom, são apenas dois centímetros. Dos dois dedos até a alça do sutiã.
Duas pessoas. Duas horas.
Dois centímetros, dois sexos.
Também são dois centímetros a distância entre a caneta e a prova que garantirá seu futuro. Assim que encostar a ponta dela, terá a tinta se esparramado, e seus caminhos, à mercê.
Eram dois centímetros também a distância entre o dedo e o botão de comando. A concretização espacial deste dois centímetros sucederam-se em um cataclismo: 6 de Agosto.
Dois centímetros: a vontade entre o giz e a lousa.
Meu professor, já cansado, enfrenta todos os dias este comprimento.
Mas avança, força seus músculos, pressiona o giz, e ensina.
O Sol se move, também. Não apenas por dois centímetros, mas por repetições destes dois centímetros.
Engano seu se pensa apenas no que é físico. O tamanho é um comprimento, mas todos os anseios são também questão espacial.
Do meu lábio até o seu, são também dois centímetros.
Do meu medo até a ambição de querer mais, são dois centímetros.
Toda nossa vida está nas distâncias deste dois centímetros. Seu ponto de partida, 20 milímetros, o resultado.
Satisfatório?
Pode não ser.
Mas lembre-se: estes dois centímetros estão em tudo. Em toda proposta, medo, vontade, curiosidade, tontura.
Só se mata esta distância através da tentativa.
Sabe a duração de nossa vida? Dois centímetros.
Sabe o tamanho de sua existência? Dois centímetros.
O tamanho do universo? Infinitos dois centímetros.

Medo deles

Não quero póli-amor, nem vastidão intensa que é a vida compartilhada. Toda alegria evaporada não passa de fumaça, onde todos, pela ânsia de se acomodar na temporária efusão de gostos, a condensam no corpo, dançando, não civilizadamente, algum sorriso surpreendentemente expansivo, ultra moderno, bem resolvido.
Sim, eu vejo os olhos dos que fumam a sabedoria dos vinte anos. Eles se enroscam na certeza onipotente, e abrem as flores dos reacionários. Quebram as vidraças, exaltando a beleza dos excluídos. 
Eu plaino sobre o hálito que exalam, junto das palavras mais belas que ouvi. Mas sou pesado, e não encontro onde pousar. Desabo entre a fogueira. 
Refujo-me, vilipendiado. Onde cabe meu erro egoísta? É o erro de ser ouvidos de um grande discurso. Sou ouvidos de uma grande agonia libertadora. 
Eu odeio a magnitude da poesia e o brilho dos poetas. Sou capaz de comer o cal da raiva, engolir cimento até meu estômago arder de incompatibilidade com a igualdade da beleza.
Detesto as grandes figuras. Detesto.
Alguém sabe o nome disso?